Descubra o que realmente gosta de fazer

Carolina Nalon, coach de carreira do Instituto Tiê Coaching e especialista em Comunicação Não Violenta, fala sobre os desafios do processo de escolhas na profissão

Descobrir o que você gosta de fazer e o que você faz bem pode ser um desafio, principalmente no início da trajetória profissional. Para auxiliar nessa descoberta tão importante, basta conferir as dicas e a opinião da coach de carreira Carolina Nalon:

Jovens Braskem: Quais são as maiores dificuldades dos jovens universitários na escolha profissional?
Carolina Nalon: Hoje em dia, a maior dificuldade são as possibilidades, pois são muitas escolhas. Na época de nossos pais, havia poucas opções de carreira: médico, advogado, engenheiro. O psicólogo Barry Schwartz tem uma palestra do TED Talks que fala do paradoxo da escolha: por muito tempo, as pessoas achavam que, quanto mais opções tinham, mais liberdade e felicidade teriam, mas ampliar as escolhas é saudável até um limite. Ter muitas acaba tendo um efeito paralisante porque você fica muito tempo pensando no que pode existir de consequência. Quando se toma uma decisão, é importante focar como torná-la a melhor de todas.

JB: O autoconhecimento é apontado como uma das chaves para uma escolha profissional bem-sucedida. Quais os pontos que você considera mais importantes nessa autoanálise?
CN: Em primeiro lugar, os valores. É preciso pensar no que é importante para você nesse momento. Mas vale ressaltar que os valores mudam ao longo da vida. Outra coisa importante é saber o que você gosta de aprender. Aquilo que o interessa e desperta sua curiosidade pode ser um bom indicativo para as escolhas na carreira. Por fim, algo em que pouca gente pensa: do que o mundo precisa? Grande parte da nossa angústia vem de só pensarmos na gente. Pensar no que se pode fazer pelo outro também é um caminho.

JB: Que dica você dá para quem é multipotencial, ou seja, tem muitos gostos, interesses e aptidões?
CN: A primeira coisa é saber que está tudo bem.  Você não precisa ser especialista em uma coisa só. As empresas precisam de pessoas generalistas, interessadas em outras áreas de conhecimento. Steve Jobs, por exemplo, fez um curso de tipografia, nada a ver com a faculdade dele. Ele adorava a disciplina, achava bonita, e anos depois conseguiu aplicar isso na Apple. Tudo o que você aprende é válido, nada é vão.
E, quando se fala em carreira dos sonhos, é preciso lembrar uma coisa: nenhuma decisão precisa ser definitiva. Se você encontrar um trabalho que lhe dê satisfação, esteja alinhado com quem você é, com o que pode dar ao mundo e do que o mundo precisa, já está muito legal.