O líder que compartilha

Há muitos significados para a palavra "liderar", sendo que um dos principais é servir de exemplo para os liderados. Para conseguir isso, pequenas atitudes cotidianas podem fazer a diferença - e podem ajudar a construir o que hoje se chama de cultura da generosidade. Em outras palavras, criar um ambiente onde se compartilham tempo, conhecimento e ideias para o desenvolvimento dos potenciais e habilidades de todos os envolvidos.

No trabalho, esse papel é ainda mais importante. Pessoas em posição de liderança que adotam essa cultura colocam suas equipes em primeiro lugar e suas próprias necessidades em segundo plano. Isso porque encontram espaço para compartilhar o que têm e mostrar que as pessoas são importantes. Transmitir conhecimentos, delegar tarefas, valorizar o trabalho de cada um e, claro, doar um pouco de tempo e atenção cria equipes mais fortes e conexões reais. O resultado? Um ambiente mais agradável, profissionais mais motivados e produtivos, e o aprendizado pelo trabalho, uma das principais premissas da Braskem.

Na entrevista a seguir, o coach Felipe Hodar comenta as habilidades necessárias a um líder generoso e explica os efeitos desse comportamento na criação de uma cadeia do bem. "Compartilhar o que se sabe é benéfico para o mundo", diz.

Jovens Braskem: Qual é a importância do compartilhamento de tempo, conhecimento e ideias?

Felipe Hodar: Partilhar é fundamental para qualquer líder. O ato de dividir precisa ser acompanhado de um real interesse no desenvolvimento do liderado, permitindo que ele explore seus potenciais e se transforme em quem gostaria de ser.

Jovens Braskem: Qual tem sido a maior dificuldade dos líderes para isso?

Felipe Hodar: Saber se organizar em relação ao compartilhamento. Estar familiarizado com as características de cada um de seus liderados nem sempre produz o resultado necessário. É preciso ter um interesse real, profundo, nas expectativas de cada pessoa, seus pontos fortes e fracos, a forma como cada um se comunica e entende uma determinada mensagem. É pegar um grupo heterogêneo e transformar em um time, em que o todo se torna tão forte que as pessoas se sentem parte de algo maior.

Jovens Braskem: Um líder pode ser bom em compartilhar ideias, mas não conhecimento ou tempo, por exemplo? Como fazer para mudar esse cenário?

Felipe Hodar: Para desenvolver as habilidades necessárias, é importante que o líder se conheça, que entenda o seu jeito de comunicar e seja capaz de identificar a maneira de comunicação do outro. Isso vai criar uma flexibilidade na maneira de se aproximar das outras pessoas e possibilitar ser mais eficaz e efetivo.

Jovens Braskem: Quais são as características de um líder generoso?

Felipe Hodar: Saber se comunicar, ouvir sem julgamento, procurar entender primeiro, sempre ter um objetivo em mente e, principalmente, ter empatia.

Jovens Braskem: Como os jovens podem desenvolver a cultura da generosidade já no estágio? E qual o reflexo disso no futuro da carreira?

Felipe Hodar: Generosidade é um estilo de vida e a cultura deve se basear no exemplo. Envolver os jovens em trabalhos voluntários, em que o doar e o dividir são vetores de ação, é muito importante. Mas o exemplo dos líderes impactará a vida deles - é preciso se comprometer com ações de generosidade, não deixar apenas nas palavras. Compartilhar o que se sabe também é benéfico para o mundo: aqueles que recebem reproduzirão em outro momento o que receberam; quem doou - tempo, conhecimento ou ideias - vai ter a sensação de que fez algo bom, que transcende o ganho material. Tudo isso também ajuda a construir as habilidades de um futuro líder.